Clarice e Pedro se perderam pela primeira vez.Nem o tempo foi culpado pelas perdas,eles se perdiam dia a dia.Passado-se alguns anos,Clarice retorna à sua cidade,e ela resolve abrir a sua caixinha que guardara as lembranças,os afetos,as recordações.Pedro sempre continuou ali,quando queria sentir seu cheiro,tocar seu rosto,ela pegava fragmentos físicos da passagem de Pedro por sua vida.O acaso ou destino,eram para ela sem definições,não conseguia discernir o que acontecia,porque Pedro sempre vinha quando não era pra vir,porque encontros casuais aconteciam,quando o desejo era matá-lo dentro de si.Quando o odiou pela primeira vez,já sabia que o sentimento era o mais próximo do amor.E mesmo assim,cultivava seus paradoxos,alimentava seus sonhos,e o guardava de novo em sua caixa de lembranças.
O acaso os juntou novamente,Clarice pensava consigo,dessa vez vai dar certo,mais amadurecidos e marcados pelas cicatrizes de outrora,mas nem isso fez Pedro ficar de vez.As dúvidas de Pedro,os receios,os medos eram indecifráveis para Clarice,que lutou até o último momento para ser feliz.Desiludida,o deixou partir novamente,deixando subentendido o que realmente Pedro sentia,sem ponto final na história triste,de um romance triste,de uma vida que começara triste,nessa história que parecia não ter fim.
Clarice tinha decidido viver,tocar sua vida como um barco em alto mar,se deixar levar sem saber a direção.Pegou sua caixinha de recordações e a escondeu,só ela sabia o lugar,só ela conhecia o conteúdo,trancou em si seus sonhos e foi construir outros.




